O Corinthians viveu, na noite de 26 de agosto de 2008, uma noite inspirada.
O Gama, adversário da noite de ontem, pode não ser grande time.
Mas quantas vezes não vimos um time superior sucumbir a um rival menos cotado por arrogância, prepotência, salto alto, falta de humildade e acomodação?
Quantas vezes aqui mesmo não escrevi que esse time do Corinthians podia mais do que estava apresentando?
Uma coisa é possuir limitações, outra, bem diversa, é jogar abaixo da capacidade.
O Corinthians estava nivelando por baixo. Os adversários (com todo respeito que eles merecem) não são grande coisa, então não precisaríamos fazer muito também.
Raciocínio errado. Porque se não se toma cuidado dos pequenos, que dirá dos grandes. Pode-se dizer que a “postura” seria diferente. Pode até ser, até acredito na possibilidade. Só que existe o outro lado: às vezes acostuma-se tanto com a situação de um jeito só que depois prá mudar é uma dificuldade.
Mas vamos deixar de conversa e falar do jogo em si.
Felipe fez boas defesas. Em uma, inclusive, num vacilo da zaga, era gritaria geral para ele sair. Demorou, mas conseguiu fechar o ângulo do gol.
Herrera resolveu enfeitar demais quando já estava 1×0 e perdeu um gol absurdo. Mas depois recebeu um passo primoroso de Morais, que se apresentou muito bem, e concluiu. De novo, em uma bobeada do Gama, Herrera não desistiu da bola e foi derrubado pelo goleiro. Pênalti, cobrado por André Santos, que parece ter definitivamente ”voltado da Europa”.
Fábio Ferreira é aquela coisa de sempre: não dá prá confiar. Bate falta para o céu e erra uns passes grotescamente. Ainda bem que temos William.
Cássio foi bem, Carlos Alberto, que o substituiu, pode não saber cruzar mas não desiste da bola.
Alessandro e André Santos se aplicaram. Alessandro deu um passe que Elias aproveitou com categoria. Elias pode ser o elemento-surpresa de que precisamos quando o ataque não estiver em seus melhores dias. É função do atacante marcar gols, mas sabemos que o futebol vive de dias e dias. Então, é preciso ter alternativas.
Douglas marcou de fora de área, em chute que é bem característico seu. Quem chuta tem a chance de marcar, quem não o faz, não tem chance nenhuma.
Mesmo com alguns problemas, como a “avenida” que existia do lado direito do Corinthians no primeiro tempo, uma certa dificuldade de Lulinha, que muitas vezes começa bem mas se enrosca com a bola, não conseguindo dar continuidade à jogada, ontem o Corinthians demonstrou que é Corinthians. Apesar de logo depois do primeiro gol haver uma certa aparência de acomodação, não houve recuo como no sábado, contra o CRB e em tantos outros jogos deste campeonato, onde parecia que o 1×0 garantia a vitória. Os jogadores correram, movimentaram-se, batalharam. E isso é de suma importância.
Mesmo quando Douglas e Morais saíram, o Corinthians não ficou “descerebrado”. E, por falar em Morais, ele bem merecia um golzinho, especialmente depois daquela bola no travessão, no segundo tempo. Os dois saíram de campo aplaudidos, muito merecidamente.
Importante foi perceber que o Corinthians se comportou como grupo, mostrou garra, fome de bola.
Diogo Rincón e Bebeto (este estreando ontem no Timão) também deram sua contribuição. Rincón logo que pegou a bola mostrou competência. E Bebeto fechou a goleada no finalzinho do jogo (olha só, o Corinthians FAZENDO e não TOMANDO gol no finzinho) de cabeça, em escanteio cobrado pelo menino Lulinha. Ou seja, Lulinha pode, sim, mostrar mais. Talvez agora, com a chegada de Morais, ele perceba que precisa ir além do que foi até agora. E, com isso, só temos a ganhar. A disputa pode ser muito saudável quando nos motiva a melhorar.
Com todo o respeito ao apaixonado que mora dentro de todo o corinthiano… Apaixonado, sim, que muitas vezes é “cego, surdo e mudo”, vamos encarar a realidade, não é mesmo?
O Corinthians ganhou o jogo de sábado, no primeiro jogo do segundo turno da série B e somou mais preciosos três pontinhos. Se continuar na mesma toada do primeiro turno, ou seja, se os RESULTADOS continuarem da mesma forma, o Timão sobe e com folga.
Mas vamos só deixar de pensar um pouquinho neste ano e refletir sobre o que virá depois.
Já disse aqui neste espaço, mais de uma vez, que não é bom colocar a carroça na frente dos bois, mesmo porque ainda tem três meses de campeonato pela frente.
Mas, como disse, vamos a um momento de reflexão.
Com esse estilo de jogo, na Série A o Corinthians teria sérias complicações. Não sei se porque a Série B está muito fraca, o Timão às vezes se acomoda, mas jogando o segundo tempo como foi no sábado passado dificultaria a situação. O CRB, que é o último colocado, conseguiu fazer um golzinho porque o Corinthians pensou que a vitória já estava sacramentada antes de terminar o embate. E perder a atenção não pode. Se houvesse mais alguns minutinhos de jogo era capaz dos caras empatarem, porque começaram a pressionar e o Corinthians recuou demais. E também continua dando-se ao luxo de perder gols feitos.
Alguns jogadores podem render mais do que estão rendendo. Outros não servem para vestir a camisa do Timão, não honram o manto sagrado.
Temos de ter consciência que a forma de jogar, dependendo do adversário, muda. E que aqueles que não estão dispostos a mudar não servem para esse time.
Se queremos que a Série B seja efetivamente uma situação passageira a não mais voltar, temos de ter consciência de nossas limitações e cobrar o que deve ser cobrado.
Mas, nada como um dia depois do outro…
E já estão contando quantos jogos o Corinthians precisa ganhar para conquistar o acesso.
A ansiedade é normal, afinal, o atingimento dos pontos necessários com certa antecedência diminiu a pressão.
Contudo, também não se pode esquecer que cada jogo é um jogo.
E quem exatamente para manter a tranquilidade, o melhor pode ser exatamente utilizar-se daquela máxima “viver um dia de cada vez”.
O retrospecto é favorável.
Mas não se pode confiar apenas nele. Deve-se lutar para chegar ao resultado no presente (e no futuro).
Principalmente porque futebol não é exato.
Os seis primeiros jogos do campeonato (CRB, Gama, ABC, Fortaleza, Barueri e Brasiliense) foram vencidos pelo Timão.
Porém isso não garante nos seis próximos o mesmo resultado.
Só que com trabalho e dedicação isso pode acontecer.
Como disse o lateral Alessandro, que pode não ser um grande jogador, mas se apresenta ao jogo (pelo menos assim foi contra o América-RN, quando voltava de contusão, ou seja, não estava no melhor de sua forma), cada jogo é um desafio e não se pode relaxar.
E pensar no que vai acontecer daqui a 30 dias antes de saber o que ocorrerá hoje pode ser perigoso, porque tira o foco.
Então, que realmente adotem, em campo, o discurso das entrevistas: cada jogo merece atenção especial.
Ontem em um evento na Federação Paulista de Futebol - FPF, o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, disse, categoricamente, que o estádio do Timão sairá.
Há poucos dias o consórcio que tinha se responsabilizado pela construção entregou a ele a minuta do contrato.
Só que isso ocorreu após o prazo estipulado.
Então Andrés saiu disparando que não sabe se é esse consórcio que fará o estádio, porque, como não respeitaram o prazo, a construção pode acabar nas mãos de outro.
E garantiu que ela não ficará só no papel, mesmo porque até agora tanto ele, como nós, só vimos projetos, mas nada de concreto.
De duas, uma: ou existem outros interessados e ele está “jogando” para ver qual proposta é mais vantajosa ou tudo não passa de figura de retórica, como instrumento de pressão para que iniciem logo as obras.
Em uma coisa ele está certo, mas não completamente. Disse que está cansado de conversa, quer ação. Não é só ele. Nós também. E mais ainda.
Queremos uma casa merecedora de toda a tradição, glória e grandiosidade do Corinthians.
O Corinthians tem novidades.
A primeira é a contratação de mais um atacante, Otacílio Neto.
É o sétimo atacante do clube, mas não se pode, agora, contar com Acosta, que se recupera de cirurgia e só voltará ano que vem.
Mas acredito que valha mais a qualidade do que a quantidade.
Só que, quando o ataque encontra dificuldades para desempenhar a sua função, isto é, fazer gols, a tentativa de contratar mais um talvez seja benéfica, se quem chega vier para somar.
Porque, quem é titular terá de se superar, mostrar mais vontade.
Mas tem o outro lado. Quem não for aproveitado, uma hora, mais cedo ou mais tarde, irá querer um lugar em que possa aparecer.
Também não podemos esquecer que, se ocorre um imprevisto, como uma contusão, existe peça de reposição.
Só que não adianta congestionar um só setor da equipe, precisa de uma boa distribuição. Porque, senão, existem posições que ficam abarrotadas e outras, carentes. Aí, quando ocorre o inesperado, recorre-se à velha e conhecida improvisação.
Como provavelmente ocorrerá com Marcelo Oliveira no sábado, no jogo diante do CRB em Maceió, pelo segundo turno da Série B.
André Santos não pode jogar porque está suspenso.
Marcelo Oliveira não é lateral, mas como é canhoto, talvez seja improvisado.
Mas isso só saberemos no decorrer da semana, principalmente porque Marcelo retorna de contusão, ou seja, é necessário melhorar a condição física.
E o primeiro turno da Série B acabou.
Com algumas boas vitórias, outras nem tanto, alguns tropeços e muita torcida, o Corinthians é o campeão do primeiro turno, o que restou consagrado antes mesmo de entrar em campo, já que o Avaí, segundo colocado, empatou na sexta-feira e nenhum outro time poderia alcançar o Corinthians, mesmo vencendo.
Mas, no sábado, o Timão voltou a demonstrar deficiências nas finalizações.
Parece que o Pacaembu precisa mesmo ser exorcizado, porque o desperdício foi grande, com Herrera, Douglas e Lulinha. Lulinha que dessa vez não caiu tanto (há torcedores que dizem que ele precisa ganhar um pouco mais de “massa” porque é só encostar que cai) e que mostrou mais disposição, apesar de no começo do primeiro tempo ter desistido de uma bola que lhe custou os xingamentos de “folgado” e “preguiçoso”. Com toda razão, porque ele é novo, tem gás prá correr. De qualquer forma, ele começou jogando mais na lateral (como nos jogos anteriores), mas depois foi mais para o meio, onde rendeu mais. Será que não é disso que ele precisa? Será que os problemas não estavam porque a função não era adequada?
Além disso, foi bom perceber que Mano Menezes, apesar de equilibrado, não é passivo. Teve uma hora que ele levantou e começou a gritar. Fico imaginando se estava dando uma bronca em alguns comandados desobedientes.
Porque ganhar do America de 2×0 é pouco. Com todo o respeito que o time potiguar merece, eles são fracos. Escorregavam sem a bola. Tiveram um escanteio durante o jogo inteiro e isso mais pelos erros do Corinthians do que por seus próprios méritos. Não houve lance efetivo de perigo por parte deles.
Mas os três pontos foram importantíssimos para deixar os jogadores corinthianos mais tranquilos para o início do returno.
Sábado que vem o segundo turno começa e esperemos que o Corinthians mostre mais consistência. E que Morais possa jogar e dizer a que veio.
Vai Corinthians, não pára de lutar!
Morais é o novo reforço do Corinthians para o meio-de-campo.
Nasceu em Alagoas, foi campeão estadual pelo Atlético Paranaense em 2005 e antes de vir para o Timão defendia o Vasco, de onde saiu xingado pelos torcedores, que alegavam que ele fazia corpo mole.
Muitos torcedores se posicionaram contrários à contratação, em virtude do futebol que ele mostrava no Vasco.
Aqui podemos analisar de duas formas: o cara nem começou a jogar e já o julgamos, então será só mais um nome ou, então, que o jogador poderia não estar muito satisfeito no Vasco e a mudança de ares será benéfica.
É, porque isso poder acontecer, sim. Nem tudo é tão rígido.
Existem momentos em que respirar novos ares funciona como uma válvula para que o jogador demonstre suas qualidades.
No próprio Corinthians isso já ocorreu.
Em 1988 Viola fez o gol do título paulista, ficou meio deslumbrado, era muito novo, foi difícil segurar a onda. Aí foi emprestado. Voltou, depois de alguns anos com muito gás.
Quem sabe o Morais não possa encontrar (ou reencontrar) seu futebol no Corinthians.
E, como torcida FIEL, não devemos retirar o apoio antes mesmo de concedê-lo.
Não podemos afirmar, categoricamente, que não dará certo. Podemos confirmar nossos receios. Ou não. As duas possibilidades existem. Mas só o tempo e os jogos nos dirão.
Ontem não consegui publicar o texto que havia preparado porque, sabe-se lá o motivo, o computador não quis responder.
Mas vamos falar do jogo de terça passada.
Empatar fora de casa não é completamente ruim.
Embaixo de chuva, quando o campo fica pesado e a bola mais difícil de ser controlada, também é um fato a ser considerado.
Mas a questão a ser colocada é que, depois de um começo primoroso, parece que o Corinthians se acomodou. E, mesmo quando vence, não convence.
Além disso, novamente o gol do adversário ocorreu no final do segundo tempo. Desatenção? Falta de condicionamento físico? Recuo demais?
Quem recua é time pequeno, que não tem nada a oferecer, nem nada a perder, não tem compromisso. E recuar ganhando por só um gol de diferença não faz o menor sentido.
Mas o Corinthians é time grande e deve comportar-se como tal.
Porque uma coisa é ter humildade. Outra é inventar justificativas.
Ouvir Mano Menezes dizendo que a “ponta” não é importante dói nos ouvidos.
Porque o nível dessa Série B está baixo, isso é fato. Então o Corinthians tem se impor, já que possui time prá isso. Pode não ser perfeito, mas tem maior qualidade que os demais.
Mesmo porque jogando desse jeito na Série A a situação seria periclitante.
Não é uma questão de não apoiar o time. Apoiaremos sempre. Mas não somos cegos. Erros precisam ser corrigidos. Respeitar o adversário é uma coisa, transformá-lo em mais do que é outra bem diferente.