Último jogo do Timão no Pacaembu em 2008, estádio lotado e na tarde de São Jorge quem mandou ver foi São Pedro.

Uma chuva que não afastou os torcedores.

E não arrefeceu a força da Fiel. Que compareceu, gritou, cantou, participou, enfim, fez sua parte.

Todos os ingressoa foram vendidos. Mas ainda assim era possível enxergar alguns pontos vazios. Por que será, não é mesmo?

O trabalho dos cambistas é acintoso e deixa de fora quem realmente gostaria de participar da festa. E que foram impedidos, de forma bastante truculenta, pela PM.

Não se deve querer invadir o campo se os ingressos não foram comprados com a antecedência necessária. Se a pessoa não foi previdente, a responsabilidade é dela. Mas sabemos que há mais entre a arquibancada e o campo do que imagina nossa vã filosofia.

E a PM trata da mesma forma bandido e torcedor.

Dentro de campo o jogo também foi tenso. O Avaí não estava prá brincadeiras.

Não é um time ruim, mas é um time que se acha mais do que é.

Vieram para cá tentando nos intimidar. Bem, corinthiano que é corinthiano não foge da raia.

É natural não quererem perder. Mas não a qualquer custo.

Primeiro gol, de Herrera, em passe açucarado de Elias, em tarde bem mais inspirada que Douglas.

Dentinho apanhou adoidado.

E o árbitro marcava falta que não era e, quando o negócio era sério, fingia que não era com ele.

Claro que não poderia acabar diferente.

No primeiro tempo mais dois gols: o empate em cobrança de escanteio, uma bobeada geral da defesa alvinegra e o desempate, novamente pelos pés de Herrera, que recebeu passe de Dentinho (olha aí o menino também fazendo duas vezes de garçom), que por sua vez recebeu, olha aí ele de novo, de Elias.

Vem o segundo tempo, uma entrada mais dura em Elias, ia continuar por isso mesmo quando os sangues ferveram. Morais foi agredido (mas isso ninguém diz) e revidou. Elias também entrou na dança, o pessoal do banco de reservas do Avaí invadiu o campo, desceram a porrada também em Herrera e lá foram Chicão e William tentar apartar. Só que na hora da briga generalizada, difícil dizer quem começou, quem tentou acalmar. Então, se é prá alguém ser punido, esses jogadores do Avaí também merecem a deles.

É muito mais fácil falar dos jogadores corinthianos, porque a visibilidade é bem maior.

Sou contra a violência. Mas na hora em que os ânimos estão acirrados, difícil manter a calma. Sei que precisamos ter controle sobre nossos nervos. Só que atire a primeira pedra quem jamais se alterou, o mínimo que fosse.

E somos humanos, não nos esqueçamos disso. É fácil exigir do outro. Mas não podemos garantir que agiríamos de forma diferente se estivéssemos na mesma situação.

Com a bola de novo em jogo, fizemos o terceiro, com André Santos.

Eles diminuíram, naquilo que entendo ter sido falha de Felipe.

Bebeto perdeu duas chances certas, o que faz com cada vez mais os torcedores acreditem que ele não tem lugar nesse time. E não tem mesmo. E se fosse em um jogo decisivo?

Chicão ainda foi expulso antes do jogo terminar, injustamente, na minha modesta opinião.

O jogo acabou. 3 x 2. O Timão se despediu do Pacaembu este ano com vitória. Depois foi festa, gritos de “é campeão” e “obrigação”. Volta olímpica.

Era obrigação subir. Mas era obrigação ser campeão de forma tão indiscutível? Mesmo na obrigação podemos reconhecer os méritos de quem alcançou o objetivo.

Somos uma só nação, unida para apoiar o Corinthians. Cobrar também, sem dúvida. Mas estar sempre ao lado.

Mostramos que não importa o que seja, estaremos lá.

Nossos meninos merecem respeito pela forma como se portaram.

Não há como apagar este ano, apesar de ser o que muitos querem.  Mas podemos dele lembrar como o ano em que fomos mais fiéis do que nunca. Não é disso que nos orgulhamos?