09 Mar
Publicado por Rita de Cássia Franco em História, Notícias, Paulistão, Torcida
Ronaldo está gordo.
Ronaldo volta de lesão.
Ronaldo está sem ritmo de jogo.
Ronaldo está velho (para os padrões futebolísticos).
Ronaldo gosta de uma balada.
Ronaldo é gol.
Calando as bocas de muitos que o consideravam “morto” patra o futebol, Ronaldo provou mais uma vez o significado das palavras esperança e superação.
Ronaldo não negou fogo.
Quando foi exigido, não fugiu da responsabilidade.
Haverá jogos em que ele não aparecerá como ontem.
Mas o dia 08 de março de 2009 ficará marcado nas mentes de todos aqueles que amam o futebol. E mais ainda para esse bando de loucos corinthianos.
Em três jogadas ele mostrou porque é considerado Fenômeno. Chutou uma bola no travessão, deu um drible que entortou o jogador palmeirense e uma assistência para André Santos que só não fez o dele porque o goleiro rival salvou.
E em uma cabeçada, que não é o seu forte, empatou um jogo que parecia perdido. Só que corinthiano de verdade não desiste nunca. Tenta, arrisca. Não tem medo de errar.
Só não erra quem não tenta. E quem não tenta também não tem chance nenhuma.
Escanteio cobrado por Douglas na cabeça de Ronaldo. Douglas que não tinha passado a bola no último jogo, contra o Itumbiara e que é mesmo meio fominha.
Douglas, que é bom jogador, mas anda meio dispersivo.
Não há como negar que o meio-campista também tem visão de jogo. Mas precisa aparecer mais e aparecer de verdade, não só em jogadas de efeito que não mudam nada.
Não basta apenas jogar bonito, é preciso estar em sintonia com os companheiros. Por isso talvez a reserva o ajude. Ele não é intocável. E o garoto Boquita anda fazendo por merecer.
Ronaldo, que salvou Felipe de ser o vilão do clássico.
Felipe que falhou no gol do Palmeiras, mas que depois teve cabeça fria o suficiente para fechar o gol.
Não sou daquelas que crucificam Felipe, ele não é o único jogador do time. Mas há horas em que precisa de mais atenção, porque se falhar é problemático, mais ainda em clássicos e em jogos decisivos.
Chicão joga sério.
Mas Willian, apesar de responsável, é lento e precisa que os volantes o ajudem. E Cristian e Elias não estavam em suas melhores tardes, é necessário treinar mais.
Souza é inútil. Jorge Henrique tenta, mas cai muito.
Ronaldo é o nome do jogo.
O que vale é bola na rede.
Não tenho vergonha de admitir que chorei.
Porque o empate foi como uma vitória. Da dor ao êxtase.
Nem o alambrado suportou. Teve até palmeirense aplaudindo.
E as torcidas, no geral, se comportaram bem. Ninguém invadiu o campo.
Isso é clássico de verdade. Cercado de rivalidade, mas com as pessoas realmente com mente festiva.
O ponto negativo, mais uma vez, foi Vanderlei Luxemburgo, que adora reclamar. Aliás, ele deveria ser reclamador profissional. Falou tanto do árbitro, mas Marcão merecia vermelho ainda no primeiro tempo, de tanto que bateu em JH. Esse árbitro, que deu amarelo a um jogador porque comemorou com a torcida (????????????????????????????????????????).
E no duelo entre R9 e K9, o primeiro mostrou que o segundo ainda tem muito o que aprender.
Tudo bem que Souza pouco produz. Ontem ele até ajudou na marcação, mas a função dele, que é fazer gols, parece que esqueceu. Mas Mano Menezes, sempre tão criticado, estava certo em deixar Ronaldo para a etapa final, mesmo a contragosto do jogador. Porque naquele calor de quase 40° dificilmente o Fenômeno, ainda longe da melhor forma física, agüentaria o tranco até o final.
Devagar e sempre é o lema. Não atropelemos.
Imaginem quando a forma física estiver mais próxima do que deve ser… Não digo ideal, porque o ideal é isso, fica no campo das idéias. Vamos trabalhar com fatos.
Ele não será o que já foi. Mas pode crescer muito.
Que outros jogadores aprendam com ele.
Sem displicência. Com luta até o fim.
Até o fim da minha vida lembrarei desse dia.
Do choro de tristeza pelo resultado que parecia imutável (e adverso) às lágrimas de alegria por ter presenciado um momento histórico.
Vai Corinthians!
E prá finalizar, eu vi pela TV, mas não sei se todos prestaram atenção, dois meninos, lado a lado, um com a camisa do Timão, outro com a do Palmeiras. Isso é futebol de verdade, mas parece que poucos se importam. É a isso que se deve dar atenção. Pessoas expressando seu amor, mesmo que seja diferente, em paz. Prestigiemos o que efetivamente merece valor e não atitudes que não agregam nada.
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